Clã Bolsonaro em crise: Financial Times diz que família se autodestrói e Eduardo fracassa nos EUA

A derrocada do clã Bolsonaro: como a família perdeu força e abriu espaço para uma nova direita no Brasil
A crise que tomou conta do bolsonarismo
Por anos, o clã Bolsonaro dominou a direita brasileira com uma força que parecia inabalável. No entanto, esse cenário começou a ruir de forma acelerada, revelando uma crise interna que ameaça a sobrevivência política da família. Um renomado jornal britânico trouxe à tona uma análise contundente sobre essa decadência, destacando como decisões desastrosas — especialmente as de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos — contribuíram para um processo de autodestruição.
Com Jair Bolsonaro condenado e já cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado, o movimento que um dia mobilizou multidões agora enfrenta fragmentação, perda de apoio popular e disputas internas ferozes. A decadência não apenas enfraquece o bolsonarismo, mas abre espaço para novas lideranças dentro do espectro conservador.
No centro dessa crise está Eduardo Bolsonaro, deputado federal e principal herdeiro político do pai. Desde fevereiro de 2025, ele vive um exílio autoimposto nos Estados Unidos, alegando temer retaliações judiciais no Brasil. E foi justamente desse autoexílio que partiu a manobra que aceleraria a queda da família.
O lobby fracassado que virou desastre diplomático
A estratégia de Eduardo Bolsonaro nos EUA era clara: influenciar a administração de Donald Trump para interferir no julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. O objetivo era pressionar o governo brasileiro a aliviar ou até suspender as acusações contra o ex-presidente. Porém, a tentativa saiu pela culatra de maneira espetacular.
O lobby gerou irritação em Washington e acabou resultando em uma retaliação direta: os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O impacto foi imediato e severo, atingindo setores estratégicos da economia e provocando indignação no mercado financeiro, especialmente em São Paulo.
Em vez de ajudar Jair Bolsonaro, Eduardo tornou a situação ainda mais grave. O gesto diplomático foi interpretado como ingerência indevida e abriu espaço para novas investigações contra ele por obstrução de justiça. Analistas classificaram o episódio como um dos maiores fracassos políticos da década — um erro que fragilizou a imagem internacional do Brasil e expôs a falta de preparo político da família Bolsonaro.
Esse episódio reforçou a percepção de que o clã já não possui o peso que tinha e deixou empresários e aliados desconfortáveis com o rumo descontrolado do bolsonarismo.
Jair Bolsonaro isolado, inelegível e sem mobilização popular
Enquanto Eduardo coleciona crises internacionais, Jair Bolsonaro enfrenta o momento mais difícil de sua trajetória. Condenado a 27 anos de prisão e transferido para uma instalação da Polícia Federal após violar as regras de sua detenção domiciliar, o ex-presidente está politicamente isolado.
A possibilidade de que sua inelegibilidade se estenda por décadas o retira definitivamente do tabuleiro político. Isso tem reduzido drasticamente a mobilização de apoiadores, com protestos cada vez menores e menos expressivos. O que antes parecia um movimento nacional sólido, agora dá sinais claros de fadiga.
A perda de força de Jair afeta diretamente o núcleo familiar. Flávio Bolsonaro, por exemplo, também contribuiu para gerar desgaste. Suas tentativas de organizar vigílias e atos em defesa do pai acabaram irritando o Judiciário e ampliando o clima de instabilidade. Fontes internas relatam que o clã vive um ambiente de tensão, onde decisões impulsivas e mal calculadas se tornaram rotina.
A disputa pela sucessão e o nascimento de uma nova direita
Com Jair Bolsonaro fora do jogo e Eduardo fragilizado, o movimento conservador brasileiro busca urgentemente um novo rosto. E é nesse vácuo que surge Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, apontado por muitos como o sucessor natural da direita moderada.
A ascensão de Tarcísio, porém, não veio sem resistências. Eduardo tem feito ataques velados — e às vezes diretos — ao governador, numa tentativa de impedir que o controle do movimento fuja das mãos da família. Essa rivalidade expõe um racha interno que só acelera a fragmentação do bolsonarismo.
Enquanto isso, políticos, empresários e eleitores conservadores se distanciam da família Bolsonaro e buscam alternativas menos explosivas, mais pragmáticas e com maior capacidade de diálogo institucional.
O resultado é uma direita em processo de reformulação, que tenta se desvincular do peso das controvérsias que marcaram o bolsonarismo desde 2018.
O fim de uma era e o futuro pós-Bolsonaro
O conjunto de erros, conflitos internos e decisões precipitadas transformou o que um dia foi um dos movimentos mais fortes do país em um grupo politicamente enfraquecido. A autodestruição do clã Bolsonaro não apenas marca o fim de uma era, mas também abre caminho para que novas lideranças moldem o futuro da direita brasileira.
Seja qual for o próximo nome a ocupar esse espaço, o cenário político já deixou claro: o bolsonarismo perdeu o rumo, e o Brasil caminha para um novo ciclo, onde a família Bolsonaro terá de lidar com as consequências das próprias escolhas.