Lindbergh pede que PF investigue Flávio Bolsonaro após reportagem sobre conta bancária
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal (PF) pedindo que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) seja incluído nas investigações da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
O pedido foi apresentado após uma reportagem do UOL revelar e-mails obtidos pela Polícia Federal que indicariam uma ligação entre uma conta identificada com o nome de Flávio e o perfil de acesso bancário utilizado pelo advogado Willer Tomaz, investigado no caso. As informações levantaram questionamentos sobre a natureza dessa associação, mas não comprovam, por si só, que o senador tenha recebido dinheiro desviado dos benefícios previdenciários. <Cite refs={[“turn407064search0″,”turn407064search6”]}/>
Lindbergh pede quebra de sigilos bancário e fiscal
Na notícia-crime, o parlamentar solicita que a PF avalie a inclusão de Flávio Bolsonaro entre os investigados e encaminhe o pedido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
O documento também pede a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador, de sua sociedade individual de advocacia, de Willer Tomaz e de empresas relacionadas ao advogado, incluindo a Alcazar Holdings e a Cathedral Holdings.
Segundo Lindbergh, as medidas seriam necessárias para verificar se houve movimentações financeiras relacionadas ao esquema investigado. A notícia-crime menciona suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção, evasão de divisas e possíveis irregularidades eleitorais.
Essas hipóteses fazem parte dos pedidos apresentados pelo deputado e ainda dependem de apuração. A apresentação de uma notícia-crime não significa que a pessoa citada tenha sido formalmente considerada culpada ou que todas as suspeitas tenham sido comprovadas. <Cite refs={[“turn407064search0″,”turn407064search3”]}/>
O que os e-mails revelados pelo UOL indicam
A reportagem do UOL informou que mensagens eletrônicas encontradas pela PF em arquivos ligados a Willer Tomaz mencionavam uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro no sistema de acesso bancário relacionado à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Em maio de 2025, uma funcionária do escritório de Tomaz teria solicitado ao banco Santander a retirada daquela conta do perfil de acesso administrativo. Segundo a reportagem, o banco confirmou a alteração no mesmo dia.
O registro levantou dúvidas sobre a relação entre o senador, o advogado e a empresa. Entretanto, a existência de um vínculo no sistema bancário não esclarece, isoladamente, quem movimentou valores, qual era a finalidade da associação ou se houve recebimento de recursos ilícitos.
Por isso, a apuração dos documentos e das eventuais movimentações financeiras é central para esclarecer o caso. <Cite refs={[“turn407064search2″,”turn407064search6”]}/>
Pedido também cita viagens e imóvel em São Paulo
A notícia-crime apresentada por Lindbergh menciona ainda supostas viagens em jatos executivos utilizadas por Flávio Bolsonaro e familiares em 2024 e 2025. De acordo com o documento, empresas relacionadas a Willer Tomaz teriam custeado deslocamentos que o deputado pede que sejam investigados.
Outro ponto citado é o possível uso, durante a campanha eleitoral, de um apartamento em São Paulo pertencente a uma empresa ligada ao advogado.
O parlamentar solicita que as autoridades verifiquem a natureza dessas relações e avaliem a necessidade de cooperação internacional com Portugal e, se necessário, com os Estados Unidos. Também pede análise de informações pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
As solicitações buscam esclarecer possíveis conexões financeiras, mas não representam conclusões oficiais sobre a existência de crimes. <Cite refs={[“turn407064search0″,”turn407064search3”]}/>
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades
Flávio Bolsonaro nega ter mantido uma conta administrada por Willer Tomaz ou por empresas ligadas ao advogado. Sua assessoria classificou as informações como falsas e afirmou que as acusações têm motivação política.
A defesa de Tomaz também rejeita as alegações. Segundo o posicionamento divulgado ao UOL, o advogado afirma que nunca criou um usuário bancário em nome do senador e que a relação entre ambos é de amizade, sem vínculo comercial ou financeiro.
As negativas fazem parte do caso e devem ser consideradas na apuração. Até o momento, os registros descritos na reportagem não comprovam, por si só, que Flávio tenha recebido valores provenientes das fraudes investigadas na Operação Sem Desconto. <Cite refs={[“turn407064search2″,”turn407064search6”]}/>
Investigação depende da análise das autoridades
O pedido de Lindbergh acrescenta uma nova frente de questionamentos ao caso e solicita diligências para esclarecer a associação bancária, as viagens mencionadas e eventuais movimentações financeiras.
Caberá à Polícia Federal e às autoridades responsáveis pelo processo avaliar os elementos apresentados e decidir se existem fundamentos legais para novas medidas investigativas.
A distinção é importante: há uma notícia-crime protocolada e informações jornalísticas sobre registros bancários, mas as suspeitas descritas ainda precisam ser apuradas. O andamento do caso dependerá da análise das provas, das manifestações das partes e das decisões das autoridades competentes.
