Mãe perde filho de 13 anos “comido” por bactéria no DF e lamenta o que escutou dos médicos: “Por que não me ouviram?”

Na noite de 11 de outubro, Miguel apresentou sintomas leves de rinite alérgica, algo recorrente em sua rotina. Após ser medicado, dormiu, mas acordou na madrugada com febre. No dia seguinte, os sintomas persistiram, levando seus pais a suspeitarem de uma possível infecção viral, como Covid-19.
Preocupados, Genilva e Fábio levaram Miguel ao Hospital Brasília na segunda-feira (14). Durante a consulta, uma médica minimizou os sintomas, atribuindo o gosto ruim na boca do menino à secreção nasal. No entanto, Miguel já reclamava de dor intensa na garganta e dificuldade para engolir, mas ainda assim foi liberado sem exames mais detalhados.
Quadro Se Agrava e Atendimento Precário
Na noite de 14 de outubro, a febre de Miguel aumentou drasticamente. No dia seguinte, ele apresentou vômitos, diarreia e fraqueza extrema, mal conseguindo andar. Ao retornarem ao hospital, os pais perceberam sinais alarmantes: sua pele estava amarelada e as extremidades roxas.
Uma médica, ao encerrar seu plantão, demonstrou preocupação e solicitou exames emergenciais, alertando sobre a necessidade de internação na UTI. No entanto, com a troca de plantão, a abordagem médica mudou drasticamente. Apesar das alterações nos exames, Miguel foi levado a um quarto adulto por falta de leitos na ala pediátrica.
Durante a madrugada, sua febre persistiu, mas os alertas desesperados de sua mãe foram ignorados. Genilva foi descrita no prontuário como “ansiosa”, enquanto seu filho lutava contra uma infecção cada vez mais agressiva.
Negligência e Falta de Diagnóstico Correto
Nos dias seguintes, Miguel apresentou manchas pelo corpo e dores intensas, mas os médicos insistiam em tratar o caso como uma simples virose. No dia 17, sua barriga começou a inchar e sua dor no tórax se intensificou. Ainda assim, exames mais aprofundados foram negados, e os pais foram orientados a “ter paciência”.
Na madrugada do dia 18, o quadro de Miguel piorou abruptamente. Suando em excesso e apresentando sinais evidentes de choque séptico, a equipe da UTI finalmente foi acionada. Ao ser intubado, novos exames confirmaram uma infecção bacteriana severa. Contudo, o atraso na resposta médica custou caro.
O Desfecho Trágico e Busca por Justiça
Com o organismo gravemente comprometido, Miguel desenvolveu insuficiência renal, hepática e pulmonar. A necrose na pele exigiu procedimentos invasivos. Durante a troca de uma sonda, um erro médico resultou na perfuração de sua bexiga, agravando ainda mais seu estado.
Após semanas de sofrimento, Miguel faleceu no dia 9 de novembro. A família, devastada, agora luta por justiça, exigindo explicações do hospital e providências contra a negligência médica que custou a vida de seu filho.
A tragédia escancara falhas no atendimento de emergência, reforçando a importância de diagnósticos precisos e intervenções médicas oportunas. O caso segue sob investigação e mobiliza entidades de defesa da saúde e dos direitos dos pacientes.