Homem que matou irmão autista brutalmente escrevia sobre desejo de “sangue”

Novos detalhes revelados pelas investigações trouxeram à tona elementos importantes sobre o assassinato de uma criança de 7 anos dentro da própria casa da família. O caso, que chocou moradores da região e ganhou ampla repercussão, passou a ser esclarecido após a descoberta de um caderno com anotações consideradas fundamentais para a linha de investigação adotada pela polícia.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o material continha palavras e expressões como “morte”, “sangue” e “assassinato”. As anotações levaram os peritos a considerar a possibilidade de que o autor do crime pudesse ser alguém da própria família, hipótese que acabou confirmada posteriormente.
Caderno com anotações levantou suspeitas da polícia
Durante a perícia realizada na residência, investigadores localizaram um caderno que chamou a atenção das autoridades. Nele estavam registradas diversas palavras relacionadas à violência, o que passou a ser analisado como possível indício de intenção criminosa.
A descoberta reforçou a linha investigativa que apontava para um crime ocorrido dentro da casa, sem participação de pessoas externas. A partir desses indícios, os investigadores intensificaram a análise do comportamento dos moradores da residência.
Pouco tempo depois, o jovem Guilherme Alcântara, de 19 anos, confessou ter cometido o assassinato do próprio irmão mais novo, Caio Alcântara, de apenas 7 anos. Ele afirmou à polícia que agiu sozinho.
Delegado descreve frieza do suspeito
O caso está sendo conduzido pelo delegado Ricardo Igarashi, responsável pela investigação no 100º Distrito Policial do Jardim Herculano.
De acordo com o delegado, o suspeito demonstrou frieza ao relatar os acontecimentos e não apresentou sinais aparentes de remorso durante o depoimento. Igarashi afirmou que o comportamento do jovem chamou a atenção dos investigadores.
Segundo o relato apresentado às autoridades, Guilherme teria dito que tinha vontade de matar alguém, mas sem ter um alvo específico. Aproveitando o momento em que ficou sozinho com o irmão mais novo, ele teria chamado a criança para o quarto e aplicado um golpe conhecido como “mata-leão”.
O delegado explicou que, após perceber que o irmão havia morrido, o suspeito teria tentado ocultar o crime, colocando o corpo dentro de um guarda-roupa.
Crime ocorreu enquanto mãe estava no trabalho
O assassinato ocorreu dentro da residência da família e teria durado cerca de 30 minutos. Naquele momento, a mãe havia saído para trabalhar e deixou o filho mais novo, que tinha diagnóstico de autismo, sob os cuidados do irmão mais velho.
O pai das crianças estava a caminho de casa quando os fatos aconteceram. Ao chegar, ele percebeu que o filho de 7 anos não estava no local e perguntou a Guilherme sobre o paradeiro do menino.
O jovem respondeu que não sabia onde o irmão estava. Como Caio havia demonstrado vontade de acompanhar a mãe quando ela saiu para trabalhar, a família inicialmente imaginou que ele pudesse ter seguido o mesmo caminho.
Buscas começaram após desaparecimento da criança
Sem conseguir localizar o menino, familiares e moradores da região passaram a divulgar cartazes informando o desaparecimento da criança. O caso então foi comunicado às autoridades e passou a ser investigado pela polícia.
Os investigadores analisaram imagens de câmeras de segurança da região, mas nenhuma gravação mostrou a criança saindo da residência ou circulando nas proximidades.
Diante dessa inconsistência, os policiais decidiram realizar uma verificação detalhada no interior da casa.
Polícia encontrou evidências dentro da residência
Durante a inspeção no imóvel, os agentes perceberam um odor forte vindo de um dos cômodos. Isso levou a uma busca mais minuciosa no local.
Foi nesse momento que os policiais encontraram um saco plástico preto contendo partes do corpo da criança. A descoberta confirmou que o crime havia ocorrido dentro da residência.
Ao ser confrontado com as evidências encontradas no local, Guilherme acabou confessando o assassinato do irmão.
Suspeito foi acusado de homicídio
Após a confissão, Guilherme Alcântara foi formalmente acusado de homicídio e permanece sob custódia das autoridades enquanto o caso segue em investigação.
Os objetos que podem ter sido utilizados no crime foram recolhidos e estão passando por análise pericial. A polícia também continua reunindo provas e depoimentos para esclarecer todos os detalhes do ocorrido.
O caso causou grande comoção na comunidade e reacendeu discussões sobre segurança familiar, saúde mental e a importância de acompanhamento psicológico em situações de comportamento violento.
As autoridades seguem trabalhando para concluir o inquérito e encaminhar o processo à Justiça.