Jornalista Caio Álex morre aos 52 anos em Cabo Frio no RJ

Morte de Caio Álex comove o jornalismo do Rio de Janeiro
A terça-feira, 30 de dezembro, amanheceu mais silenciosa para quem vive o jornalismo no Rio de Janeiro. A notícia da morte do jornalista Caio Álex, aos 52 anos, caiu como um golpe duro nas redações, nos estúdios de TV e também nas casas de telespectadores e ouvintes que acompanharam sua trajetória ao longo de décadas. A confirmação foi feita ao vivo pela Inter TV, emissora onde Caio atuava desde o fim de 2024, e rapidamente se espalhou pelas redes sociais e grupos de profissionais da comunicação.
A reação foi imediata. Mensagens de pesar, lembranças de bastidores e homenagens começaram a circular, revelando o impacto da perda não apenas de um jornalista, mas de um colega respeitado e admirado.
Internação em Cabo Frio e quadro clínico delicado
Caio Álex estava em Cabo Frio, na Região dos Lagos, onde havia se mudado recentemente por causa do novo trabalho. Segundo informações divulgadas pelo portal Audiência Carioca, o jornalista sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em meados de dezembro, sendo internado no Hospital Santa Isabel.
Desde o início da internação, a família optou pela discrição, evitando exposição pública e mantendo as informações restritas ao círculo mais próximo. A decisão foi compreendida por colegas e amigos, especialmente diante da gravidade do quadro clínico. Apesar dos cuidados médicos, Caio não resistiu às complicações decorrentes do AVC, o que tornou o desfecho ainda mais doloroso para quem acompanhava sua recuperação à distância.
Homenagem da Inter TV e comoção interna
A Inter TV, emissora onde Caio viveu seu último capítulo profissional, publicou uma homenagem que traduziu o sentimento interno da equipe. Em nota oficial, a emissora destacou o talento, a dedicação e a paixão de Caio Álex pelo jornalismo, ressaltando que sua trajetória deixou uma marca profunda e difícil de apagar.
Não se tratou de uma mensagem protocolar. No ambiente das TVs regionais, os vínculos se constroem rapidamente, especialmente quando profissionais experientes chegam dispostos a somar, orientar e compartilhar conhecimento. Caio era visto exatamente assim: alguém que agregava, ajudava e elevava o nível do trabalho coletivo.
Uma carreira sólida e respeitada na comunicação
Por trás da notícia da morte, existe uma trajetória extensa e respeitável. Caio Álex construiu uma carreira sólida como jornalista, apresentador e repórter, passando por importantes veículos da comunicação brasileira. Atuou na Rádio Tupi, teve passagens pela CNT, RedeTV!, Band e também pelo SBT, uma das emissoras mais tradicionais do país.
No SBT, permaneceu por cerca de oito anos — um tempo significativo em um mercado marcado por mudanças constantes. Durante esse período, conquistou a confiança da direção e chegou a assumir, de forma interina, a apresentação ao lado de Isabele Benito, demonstrando versatilidade, segurança e domínio do vídeo ao vivo.
Profissionalismo nos bastidores e respeito no texto
Quem conviveu com Caio Álex costuma destacar um perfil cada vez mais raro no jornalismo atual. Ele era firme no texto, rigoroso na apuração e cuidadoso com a informação, mas mantinha uma postura acessível e humana nos bastidores. Não se limitava ao papel de quem aparece na tela; era um jornalista atento, disponível para orientar colegas mais jovens e aberto ao diálogo.
Esse equilíbrio entre técnica e sensibilidade ajudou Caio a se adaptar a diferentes formatos, públicos e linhas editoriais ao longo da carreira. Sua presença era percebida não apenas pelo público, mas principalmente dentro das redações.
Um novo capítulo interrompido na Região dos Lagos
Em 2024, ao iniciar seu trabalho na Inter TV, Caio encarou mais uma mudança importante. Deixou a rotina anterior e passou a viver na Região dos Lagos, um polo jornalístico com características próprias, onde a proximidade com o público é ainda mais intensa.
Era um recomeço que vinha acompanhado de planos, ideias e vontade de fazer jornalismo com qualidade. Colegas relatam que ele chegou motivado, cheio de pautas e disposto a contribuir com a emissora local.
Um susto anterior e a luta pela recuperação
Vale lembrar que, em fevereiro deste ano, Caio já havia enfrentado um episódio grave de saúde. Ele foi internado após sofrer um mal súbito e permaneceu mais de dois meses hospitalizado. Naquele momento, amigos e colegas acompanharam com apreensão, torcendo pela recuperação.
O retorno ao trabalho, meses depois, foi interpretado como um sinal de superação e força. Por isso, a notícia da morte agora causa ainda mais impacto.
Um legado que permanece
A morte de Caio Álex representa mais do que a perda de um profissional experiente. É a despedida de uma voz que ajudou a informar, contar histórias e conectar pessoas. Em tempos de notícias rápidas e superficiais, trajetórias como a dele reforçam que jornalismo também é persistência, entrega e presença.