Lula passou a ser alvo dos EUA após a queda de Maduro: “Corre risco imediato”

Na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, um comentário feito em um programa de opinião política foi suficiente para acender debates intensos nas redes sociais e nos bastidores da política internacional. Durante participação no Oeste com Elas, o vereador brasileiro Maurício Galante, que exerce mandato na Câmara Municipal de Arlington, no Texas, trouxe à tona uma avaliação controversa sobre o atual cenário geopolítico envolvendo Brasil, Estados Unidos e América Latina.
Segundo Galante, após uma operação militar de grande repercussão que teria culminado na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, os Estados Unidos passariam a enxergar o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva como um possível “alvo estratégico”. A declaração, forte e provocativa, rapidamente ganhou repercussão e passou a ser analisada com cautela por especialistas.
Declarações que ecoaram além das fronteiras
Durante sua fala, Maurício Galante afirmou que a operação americana em território venezuelano não teria sido apenas uma ação pontual contra Maduro, mas sim um sinal claro de reposicionamento estratégico de Washington na América Latina. Para o vereador, o episódio funcionaria como um recado direto a líderes e grupos políticos que, na visão dele, mantêm relações consideradas hostis aos interesses norte-americanos.
Galante associou esse cenário a uma suposta rede de alianças políticas e ideológicas, citando remanescentes do Foro de São Paulo. Dentro dessa interpretação, Lula seria hoje o principal líder desse espectro ainda no poder, o que o colocaria sob atenção especial dos estrategistas dos Estados Unidos.
Embora a fala tenha sido recebida com surpresa, muitos observadores apontaram que ela se apoia mais em leitura política pessoal do que em informações confirmadas por canais diplomáticos oficiais.
A Venezuela no centro da tensão regional
A suposta captura de Nicolás Maduro representaria, segundo analistas internacionais, uma ruptura significativa na dinâmica política da região. Até então, apesar das tensões, a América do Sul vivia um período de relativa estabilidade diplomática, ainda que marcado por divergências ideológicas profundas.
Para Galante, a ação militar americana simbolizaria uma nova postura de enfrentamento direto, abandonando estratégias exclusivamente diplomáticas. Ele destacou ainda decisões recentes do governo brasileiro, como o apoio formal à vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, posição que teria sido ignorada pela administração dos EUA em 2024.
Além disso, o vereador mencionou a manutenção de relações estreitas do Brasil com países como Cuba como mais um elemento que, em sua visão, contribuiria para o aumento das tensões entre Brasília e Washington.
Reações no Brasil e impactos políticos internos
No Brasil, as declarações dividiram opiniões. Parte dos analistas classificou o discurso como exagerado e alarmista, enquanto outros viram nele um alerta simbólico sobre os riscos de uma política externa excessivamente alinhada a governos contestados internacionalmente.
Especialistas em relações internacionais lembram que o Brasil, historicamente, busca uma postura de equilíbrio, mantendo diálogo com diferentes potências globais — como Estados Unidos, China e Rússia — sem romper completamente com nenhum bloco. No entanto, a crise venezuelana pode colocar essa estratégia à prova.
No Congresso Nacional, parlamentares da oposição aproveitaram o episódio para reforçar críticas ao governo Lula, apontando contradições entre o discurso diplomático brasileiro e a realidade política da Venezuela antes da intervenção americana. Alguns chegaram a afirmar que o Planalto teria ignorado sinais claros de instabilidade no país vizinho.
Washington e a leitura estratégica dos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, embora não haja confirmações oficiais que sustentem a tese de Lula como “alvo estratégico”, analistas enxergam a operação contra Maduro como parte de uma mudança mais ampla na política de segurança nacional americana para a América Latina.
Alguns especialistas comparam essa postura a uma versão moderna da Doutrina Monroe, voltada a reafirmar a influência dos EUA no hemisfério ocidental diante do avanço de potências como China e Rússia na região. Nesse contexto, países que mantêm relações ambíguas com esses blocos passam a ser observados com maior atenção.
Um episódio que amplia incertezas
Entre especulações, análises técnicas e disputas narrativas, uma coisa é certa: as declarações de Maurício Galante reacenderam debates sensíveis sobre soberania, alinhamentos internacionais e o papel do Brasil no cenário global. O episódio passou a frequentar não apenas programas políticos, mas também conversas cotidianas, rodas de amigos e discussões acadêmicas.
As consequências práticas ainda são incertas, mas o caso já entrou para a lista de episódios que marcaram o início de 2026 como um período de tensão e redefinições nas relações entre Brasília e Washington — um capítulo a mais em uma história longa, complexa e cheia de nuances.