PIOR QUE A COVID? Vírus altamente letal começa a se espalhar e o que ele faz com o corpo

Vírus Nipah volta a preocupar autoridades de saúde após novos casos na Índia
Um vírus identificado ainda na década de 1990 voltou a ganhar destaque no cenário internacional da saúde pública neste início de ano. O motivo são novos casos confirmados na Índia, que reacenderam o alerta em torno do vírus Nipah, considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos patógenos prioritários para pesquisa. A preocupação das autoridades não é recente, mas se intensifica diante do alto índice de letalidade, do potencial de transmissão e da inexistência de vacina ou tratamento específico.
Classificado como um vírus zoonótico, o Nipah é capaz de ser transmitido de animais para seres humanos, o que amplia os riscos de surgimento de surtos em regiões com contato frequente entre populações humanas e fauna silvestre. Embora não seja amplamente disseminado, seu histórico e gravidade justificam a atenção redobrada.
Origem do vírus e principais reservatórios naturais
O vírus Nipah pertence à família Paramyxoviridae e tem como principais reservatórios naturais os morcegos frugívoros do gênero Pteropus. Esses animais são comuns em diversas regiões da Ásia e da África e podem carregar o vírus sem apresentar sintomas aparentes.
Em surtos anteriores, especialmente no primeiro grande episódio registrado na Malásia, porcos atuaram como hospedeiros intermediários. A infecção desses animais facilitou a transmissão para humanos, gerando impactos não apenas na saúde, mas também na economia rural, com abates em larga escala para conter a disseminação.
A presença do vírus em diferentes espécies reforça o desafio de controle e vigilância, sobretudo em áreas onde práticas agrícolas e hábitos alimentares favorecem o contato indireto com secreções de morcegos.
Como ocorre a transmissão do vírus Nipah
A transmissão do Nipah pode ocorrer de diferentes formas, muitas delas ligadas ao consumo de alimentos contaminados. Investigações de surtos anteriores mostraram que pessoas foram infectadas após ingerir frutas ou bebidas contaminadas por saliva, urina ou fezes de morcegos infectados.
Em países como Bangladesh, a ingestão de seiva de tâmara crua foi diretamente associada a diversos casos da doença. Além disso, o vírus também pode ser transmitido de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes familiares ou hospitalares, quando há contato próximo com pacientes infectados.
Essa possibilidade de transmissão humana aumenta a preocupação das autoridades, pois exige protocolos rigorosos de isolamento e monitoramento de contatos.
Sintomas variáveis e evolução rápida dos quadros graves
Os sintomas da infecção pelo vírus Nipah podem variar significativamente. Em alguns pacientes, os sinais iniciais são leves e inespecíficos, semelhantes aos de uma virose comum, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Febre, dor de cabeça, mal-estar geral, vômitos e dor de garganta costumam ser os primeiros sintomas. No entanto, em casos mais graves, a evolução pode ser rápida e agressiva. Alterações neurológicas, como sonolência, desorientação, confusão mental e mudanças no estado de consciência, estão associadas à inflamação do sistema nervoso central.
Problemas respiratórios também são relatados, incluindo dificuldade para respirar e quadros de pneumonia. Essas complicações aumentam o risco de desfechos fatais, principalmente quando o atendimento médico não ocorre de forma rápida.
Período de incubação e desafios no controle
O período de incubação do vírus Nipah geralmente varia entre quatro e 14 dias, mas há registros de intervalos mais longos entre a exposição e o aparecimento dos sintomas. Essa característica torna o rastreamento de contatos mais complexo e dificulta o controle da disseminação.
A taxa de mortalidade é considerada elevada e pode variar de acordo com a estrutura do sistema de saúde local e a rapidez na identificação dos casos. Em alguns surtos, a letalidade ultrapassou 70%, o que reforça o potencial devastador do vírus em cenários de baixa capacidade de resposta.
Ausência de vacina mantém vírus em lista prioritária da OMS
Até o momento, não existe vacina nem medicamento específico aprovado para o tratamento do vírus Nipah. O cuidado oferecido aos pacientes é de suporte, com foco no alívio dos sintomas e no manejo das complicações neurológicas e respiratórias.
Por essa razão, a OMS mantém o Nipah na lista de patógenos prioritários para pesquisa, ao lado de outras doenças emergentes com potencial pandêmico. O objetivo é estimular o desenvolvimento de vacinas, terapias e estratégias eficazes de contenção.
Histórico de surtos e situação atual na Índia
O primeiro grande surto do vírus Nipah ocorreu no fim dos anos 1990, na Malásia. Desde então, casos esporádicos foram registrados em outros países asiáticos. Bangladesh enfrenta ocorrências quase anuais, enquanto a Índia já adotou medidas rigorosas de vigilância em episódios anteriores, especialmente no estado de Kerala.
Agora, novos registros em Bengala Ocidental levaram autoridades a colocar dezenas de pessoas sob monitoramento. Embora não haja indícios de disseminação em larga escala, especialistas reforçam que a vigilância constante é essencial para evitar surtos maiores e proteger a saúde pública.