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Vídeo: filho carrega corpo da mãe em decomposição pelas ruas do Rio de Janeiro

Na manhã desta quarta-feira (22), uma cena incomum chocou os moradores da comunidade Bateau Mouche, na Praça Seca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Bombeiros do quartel de Campinho foram acionados após um homem ser visto empurrando o corpo da própria mãe, já em estado de decomposição, em uma cadeira de rodas pelas proximidades da Rua Cândido Benício.

O que aconteceu?

A idosa, Aurora Marques, de 100 anos, faleceu na última terça-feira (21), aparentemente de causas naturais. Segundo relatos de moradores, o filho, que aparenta ter problemas psicológicos, estava circulando pela comunidade com o corpo da mãe na cadeira de rodas, o que causou grande perplexidade entre os vizinhos.

O corpo da senhora foi removido na manhã de hoje e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), enquanto a Polícia Civil já abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do caso.

O impacto na comunidade

Os moradores relataram que a situação foi ao mesmo tempo triste e perturbadora. “Ninguém sabia direito o que estava acontecendo, mas dava para ver que era algo muito sério. Nunca imaginei presenciar algo assim”, comentou uma moradora que preferiu não se identificar.

A cena também levantou debates sobre questões como abandono social, saúde mental e assistência a idosos. Muitos moradores acreditam que o comportamento do filho pode estar ligado a problemas psicológicos não tratados, o que reacende a discussão sobre a falta de suporte para famílias em situações de vulnerabilidade.

Casos similares que chocaram o país

Embora incomum, situações desse tipo já aconteceram no Brasil. Um caso semelhante que ganhou repercussão nacional ocorreu em abril do ano passado, também no Rio de Janeiro. Na ocasião, Érika de Souza Vieira Nunes foi flagrada tentando sacar R$ 17 mil de um empréstimo no nome de seu tio, Paulo Roberto Braga, de 68 anos, que já estava morto.

O episódio aconteceu em uma agência bancária de Bangu, também na Zona Oeste. Paulo foi levado desacordado, sentado em uma cadeira de rodas, e os funcionários do banco notaram algo estranho, já que ele estava imóvel e com os olhos fechados. A polícia foi acionada, e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou que o idoso estava morto antes mesmo de chegar ao local.

Imagens de segurança mostraram Érika tentando manter a cabeça do tio erguida enquanto fingia conversar com ele. O caso gerou indignação e trouxe à tona discussões sobre ética e a situação de idosos no Brasil.

Reflexões sobre a assistência social

O caso envolvendo Aurora Marques e seu filho também coloca em evidência a necessidade de se discutir políticas públicas mais eficazes para amparar idosos e pessoas em situações de vulnerabilidade. Aurora chegou a uma idade centenária, mas seu fim revelou uma realidade triste e, possivelmente, negligenciada.

Além disso, a saúde mental de familiares que cuidam de idosos precisa ser acompanhada. O cuidado prolongado pode ser extremamente desgastante, especialmente quando falta suporte emocional, financeiro ou de profissionais da saúde.

Organizações que lidam com direitos humanos e assistência social defendem a criação de mais redes de apoio que incluam visitas regulares de assistentes sociais e acesso a programas de saúde mental. Casos como esse reforçam a importância de uma abordagem mais integrada para evitar tragédias que impactem tanto os envolvidos quanto a comunidade ao redor.

Investigação em andamento

A Polícia Civil ainda não deu detalhes sobre o andamento da investigação do caso de Aurora Marques, mas deve apurar tanto as causas da morte quanto o contexto em que o filho decidiu circular com o corpo da mãe pela comunidade.

Enquanto isso, os moradores da Praça Seca continuam abalados, refletindo sobre o que testemunharam e torcendo para que situações semelhantes possam ser evitadas no futuro.

Esses casos, embora isolados, servem como alerta para os desafios sociais que ainda precisam ser enfrentados de forma mais consistente. Em meio ao choque e à perplexidade, fica a esperança de que o debate gerado possa resultar em mudanças positivas para a sociedade.

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